A última escola de uma cidade que perdeu metade da população
Em Pedro Alexandre, na Bahia, 32 crianças estudam onde antes havia 180.
Pedro Alexandre é um distrito de 1.800 habitantes no extremo norte da Bahia, na fronteira com Sergipe. Em 1990 eram 3.600. A escola municipal, que abrigava 180 crianças, hoje tem 32.
Marina Xavier passou uma semana na cidade. A diretora, Dona Conceição, dá aula há 38 anos no mesmo prédio. “Não fecho porque fecharia a cidade”, diz.
A escola tem quatro salas, mas só duas são usadas. As outras duas guardam cadeiras antigas e um mapa do Brasil desatualizado, de 2002, ainda pendurado na parede.
As 32 crianças estão divididas em três turmas multisseriadas. A professora de português leciona para a 4ª e a 5ª série ao mesmo tempo, numa mesma sala, com metade do quadro para cada.
O problema não é só demográfico. É econômico. As famílias que saíram foram em busca de trabalho em Aracaju e Salvador. As que ficaram vivem de pequena lavoura e aposentadoria.
Há um ônibus escolar que leva os adolescentes a partir da 6ª série para a sede do muncípio, a 40 quilômetros. A viagem dura uma hora e meia por sentido, em estrada de terra. A evasão começa ali.
Dona Conceição sabe que a escola pode fechar. Quando isso acontecer, diz, “fecha o último lugar onde a cidade se vê como cidade”. Enquanto houver criança, ela segue.
Pedro Alexandre não aparece em manchete. Não tem conflito que venda. Mas é onde o Brasil rural se mede — no lugar onde uma diretora de 63 anos sustenta a última instituição pública da comunidade.